Associação Médica BrasileiraWorld Federation of Associations of Pediatric SurgeonsAsociación Iberoamericana de Cirugía Pediátrica

ELEIÇÃO CIPE 2018 – Chapa 1 – A CIPE de Todos Nós

Todos concordam que vivemos um momento ímpar na política brasileira, assim como nas nossas Entidades Médicas. Sabemos que enfrentamos e continuaremos a enfrentar grandes desafios e riscos na luta e na defesa dos interesses da Cirurgia Pediátrica, dos cirurgiões pediátricos e da saúde brasileira. Mudanças políticas, legais, tecnológicas, educacionais e filosóficas que afetam o exercício da medicina e da profissão se sucedem num ritmo alucinante e precisam ser pensadas, assumidas, compensadas ou contrapostas. Seremos mais fortes se nos unirmos em ideais propositivos comuns a todos. Precisamos de serenidade e firmeza evidente para impor nossas necessidades e idéias. Precisamos de usar as diferenças individuais de expectativas e visões de mundo num debate aberto que nos faça crescer e que permita chegar a soluções mais inteligentes, negociadas e integrativas, capazes de satisfazer as necessidades de todos contemporizando as diferentes expectativas de forma razoável.

A Cirurgia Pediátrica precisa de soluções. Não podemos perder tempo e energia preciosos com desentendimentos pouco construtivos para o grupo. Não podemos, não devemos, perder gente por divergências de idéias. Divergências de idéias são boas sempre que conseguimos um diálogo maduro e franco. Das divergências discutidas com maturidade surgem soluções. Afinal, somos uma Associação. Na plena acepção do termo, gente unida em torno de objetivos comuns, substituindo ganhos individuais ou de pequenos grupos. Queremos concentrar esforços para discutir propostas que levem a soluções para os nossos problemas. É preciso união e foco para lutar pela Cirurgia Pediátrica Brasileira, nossa grande causa.

Gostaríamos de apresentar algumas propostas, que são nossos pensamentos iniciais para o trabalho de gestão a que nos propomos. São idéias baseadas na nossa visão do que deve ser um grupo associativo de especialistas médicos. Buscamos construir o alicerce para ações práticas e efetivas, para os problemas que já se apresentam e para necessidades futuras que com certeza surgirão, num Brasil que inevitavelmente está no curso de mudanças profundas que vão afetar o mercado de trabalho para especialistas e o exercício da profissão.

Aqui estão nossas propostas iniciais:

  1. Gestão transparente, sempre disponível para receber, analisar e discutir as idéias dos associados;
  2. Reforçar o diálogo e a cooperação entre os associados, do ponto de vista científico e para o convívio social profissional. Pretendemos utilizar amplamente as formas modernas de comunicação eletrônica e plataformas que melhorem a interface entre a Associação e os cirurgiões pediátricos usando novos formatos de conteúdo e melhorando a efetividade dos formatos já consagrados, com aumento mínimo de custos para a associação;
  3. Intensificar a relação da Associação com os veículos de comunicação de massa, no que concerne temas relacionados à atuação dos cirurgiões pediátricos, à saúde da criança e à proteção da sociedade e da medicina no Brasil;
  4. Fortalecer as relações institucionais com as demais Entidades Médicas e sociedades de especialidades afins. Fortalecer a participação da CIPE na recém criada BSPU (Brazilian School of Pediatric Urology), já reconhecida como associação de urologistas pediátricos da América do Sul;
  5. Manter e melhorar o Programa de Educação Continuada através de convênios com serviços qualificados no Brasil e no exterior. Promover eventos com conteúdo programático de interesse para os Associados, seja programados pela CIPE ou em parceria com outras instituições ou associações médicas, viabilizando transmissões ao vivo pela internet;
  6. Valorizar o Título de Especialista, que é a maneira da sociedade definir objetivamente os critérios de qualificação de cirurgiões pediátricos. O título de especialista é nosso principal recurso para impor às sociedades, centros de formação e gestores quais os parâmetros mínimos para aceitar um profissional como especialista;
  7. Defender o exercício profissional da Cirurgia Pediátrica. Implementar medidas práticas para melhorar nossas condições de trabalho, permitindo o exercício digno da especialidade;

Elaborar e executar ações de valorização do cirurgião pediátrico, usando de forma inteligente e ética ações de marketing profissional;

  1. Buscar o reconhecimento e as soluções para o adoecimento ocupacional do cirurgião pediátrico e para a desistência do exercício profissional da especialidade secundária às dificuldades de trabalho que temos encontrado;
  2. Viabilizar convênios de benefícios sociais, culturais, educacionais, financeiros e outros para os associados;
  3. Participação da CIPE junto ao IBDM (Instituto Brasil de Medicina) e a FPM (Frente Parlamentar da Medicina);
  4. Criar o Selo de Qualidade CIPE para capacitação institucional junto à CNRM (Comissão Nacional de Residência Medica);
  5. Atuar junto às Entidades Médicas e a CNRM em defesa de assuntos de interesse dos médicos cursando residência em Cirurgia Pediátrica;
  6. Defender com clareza, transparência e coragem o cumprimento da legislação em relação à nossa especialidade e buscar a modernização de alguns aspectos com relação ao nosso trabalho, considerando as especificidades da Cirurgia Pediátrica.
  7. Melhorar a comunicação da CIPE com as associações estatuais e fortalecer as regionais em seu indispensável trabalho. Precisamos enxergar o papel catalizador de soluções de interesse geral da CIPE, que tem uma relação orgânica de dupla via com as associações regionais que atuam na resolução de necessidades e especificidades locais. O Brasil é um país enorme que apresenta grandes diferenças regionais e enormes problemas globais que afetam a todos, e as duas questões precisam ser integradas;
  8. Revisar os honorários da Cirurgia Pediátrica, tanto no setor público quanto no privado, com um foco especial nas necessidades de pagamento diferenciado para atendimento neonatal;
  9. Estimular a participação mais efetiva das Comissões da CIPE nas atividades da Associação e na resolução de problemas objetivos.

#FazerMais

#FazerMelhor  
# JuntosPelaCirurgiaPediátrica

 

CHAPA 1: A CIPE DE TODOS NÓS
Diretoria

 

Conselho Fiscal
Membros TitularesMarcelo Iasi (SP)
Paulo Carvalho Vilela (PE)
Wilberto Trigueiro (PB)
Membros SuplentesEmanuel Conceição Resque Oliveira (PA)
Sperandio Reinaldo Del Caro (ES)
Augusto Aurélio de Carvalho (MT)

 

Veja, a seguir, o detalhamento das propostas.

Propostas da Chapa 1 – A CIPE de Todos Nós

Estamos bastante preocupados com a conjuntura do exercício da medicina e da especialidade no Brasil. Neste momento juntamos muitas preocupações antigas (necessidade de reconhecimento pleno da especialidade, questões de formação e questões práticas do exercício do nosso trabalho) a preocupações novas (interferência crescente do poder judiciário sobre o exercício da profissão, diminuição da autonomia no exercício da medicina, responsabilização legal do profissional que atende em condições de trabalho adversas, violência contra os profissionais e insegurança nos locais de trabalho, tendência a queda de faturamento, “proletarização” e “pejotização” do trabalho).

A conjuntura econômica e política instável do país, junto com uma previsibilidade de futuro bastante precária, considerando a atual crise política (e a possibilidade de eleição de grupos com idéias diametralmente opostas à liderança do país), nos leva à necessidade de um posicionamento firme como grupo, incluída aí a necessidade de rever e refazer planejamentos constantemente. Neste momento está difícil manter planejamentos de longo prazo: tudo muda o tempo inteiro, muito rápido e, na prática, antes de haver resultados, bons ou ruins. Incêndios (metafóricos) sáo apagados sem parar.

A necessidade de posicionamentos, é claro, não é apenas individual, mas também exige uma presença da CIPE em conjunto com outras entidades médicas e de defesa profissional, inclusive a recém criada Frente Parlamentar da Medicina.

Nos enxergamos conforme o algoritmo abaixo, que tem como linha estrutural central a interação entre cirurgiões pediátricos e a sociedade/pacientes e como linhas auxiliares (mas fundamentais) a interação com as entidades de defesa profissional e as entidades de regulação profissional em vários níveis (legal, pública e provada, institucional e individual), buscando também a utilização da mídia (no sentido mais moderno, incluindo redes sociais) como instrumento de comunicação e marketing ético da especialidade.

Sabemos que toda esta teoria tem que ter vertentes práticas, ou será apenas verborragia ou política inefetiva. Temos limitações de ordem financeira e prática, já que todos nós nos dedicamos às atividades profissionais de médicos ao lado das atividades de coordenadores da CIPE, que é uma entidade que conta com um número relativamente pequeno de associados e um aporte financeiro limitado. Estas limitações pioram quando reconhecemos que a nossa especialidade tem dificuldade em angariar fundos de fontes que não as anuidades e congressos de especialidade e que temos sempre uma proporção infelizmente grande de colegas inadimplentes.

Este é um problema a ser resolvido. Precisamos resolver as questões logísticas, já que muitos alegam que não fazem os pagamentos por ter problemas com relação ao recebimento das faturas. Vamos aperfeiçoar um sistema que envie as faturas por e mail e lembretes por whatsupp, e aí talvez este problema seja resolvido. Também precisamos verificar se há colegas simplesmente desmotivados a fazer os pagamentos, por descrédito da efetividade institucional da CIPE. Este problema também precisa de solução, mas, feliz ou infelizmente, a solução reside em cada um de nós investir na idéia de que uma associação de especialistas tem valor em resolver nossas questões, não como indivíduos, mas como grupo. Precisamos transitar de uma associação puramente acadêmica e centrada no prestígio individual para uma associação que considere as necessidades acadêmicas e reconheça os méritos individuais, mas englobe aspectos práticos do exercício profissional, seja capaz de buscar visibilidade e respeito à especialidade e envolva os médicos mais jovens, para que no decorrer da carreira a vitalidade dos mais jovens se uma à experiência dos mais velhos em um todo mais efetivo.

Temos que projetar nossas necessidades e anseios apartir do entendimento de quem nós somos, do que podemos e do que não podemos e de como buscar as resolver nossas necessidades e problemas através de relações institucionais. Precisamos, antes de tudo, de um diagnóstico de situação. Depois, de projetos concretos, eficientes e práticos. Precisamos que a comunidade de associados acredite que a CIPE é capaz de ir além dos papéis tradicionais de apoio acadêmico/educação continuada e socialização entre colegas de especialidade.

Temos que conseguir sublimar algumas diferenças pontuais e individuais em torno de um objetivo maior. Encontrar pontos comuns e abrir mão de diferenças e expectativas de indivíduos e grupos de interesse frente a algumas questões maiores, sem que se abra mão de novas propostas, propostas inovadoras, discussões (inclusive filosóficas) e do posicionamento da CIPE no apoio de problemas de grupos específicos, sempre que possível.

Não é razoável que a sociedade se posicione em favor de expectativas de minorias frente a problemas com implicações para todos, mas é razoável e necessário que a sociedade como um todo apoie as necessidades individuais e grupais de colegas em situações específicas ou circunstanciais.

Temos que nos multiplicar sem nos dividir. Esta é, afinal, a definição de democracia. Alcançar o respeito às individualidades sem perder o todo de vista.

Evidentemente, não é e não vai ser fácil.

Apresentamos algumas idéias práticas e concretas:

  1. A fim de manter a transparência na gestão, todos os projetos e decisões da sociedade serão veiculadas aos membros da CIPE na home page da sociedade e através de mala direta eletrônica.
  2. Sempre que possível (havendo tempo hábil para consulta sem prejuízo da eficiência de decisões executivas e na ausência de implicações éticas) decisões serão tomadas levando em conta a opinião dos associados mediante consultas através dos mesmos meios (mala direta eletrônica).
  3. É necessário que adotemos meios eletrônicos de comunidação pela economia de custos (correio convencional acarreta despesas evitáveis) e o faremos através do aperfeiçoamento do site e aumento na eficiência da correspondência eletrônica e mediante redes sociais.
  4. Pretendemos transmitir as reuniões de diretoria on line, através da forma de teleconferência, para resolver o problema das dificuldades de acesso de colegas a São Paulo.
  5. Proporemos efetivar núcleos de Cirurgia Pediátrica com representação nas grandes sociedades afins (Sociedade Brasileira de Pediatria, Colégio Brasileiro de Cirurgiões, AMB).
  6. Tentaremos avançar nas propostas de reconhecimento da atuação dos Cirurgiões Pediátricos na área de Urologia Pediátrica. Achamos que isto pode ser feito mediante comunicação pública frequente da nossa atuação neste campo de trabalho e implementação de cursos pós residência em urologia pediátrica em Serviços de Cirurgia Pediátrica (R4/pós graduação em urologia pediátrica). Pretendemos implementar um projeto nacional de informação sobre criptorquidia e seu tratamento através de palestras didáticas padronizadas de cirurgiões pediátricos para colegas não especialistas e em associações ligadas a crianças e escolas, em busca de popularizar nossa atuação profissional. Buscaremos clarificar o papel institucional da recentemente criada Escola Brasileira de Urologia Pediátrica, cujo estatuto inclui Cirurgiões Pediátricos como participantes. Tentaremos, se for possível, uma interlocução melhor com a Sociedade Brasileira de Urologia para a implementação de interesses comuns.
  7. Acreditamos que a valorização do Título de Especialista é importante para a apresentação à sociedade de um contingente de especialistas reconhecidamente capacitados e ratificados pelos pares. O Título de Especialista é nosso selo de qualidade. Pretendemos rediscutir o modelo e modernizar as provas de título anuais. Vamos analizar as metodologias de exame das demais áreas de especialidade e as idéias de colegas com formação em pedagogia médica e considerar as expectativas dos profissionais jovens para conseguir uma modernização efetiva do exame sem perda de qualidade de avaliação, já que precisamos não perder de vista que a importância do Título de Especialista está ligado a este ser acessível ao profissional habilitado, sem que se restrija a uma pequena elite nem que seja extendido indevidamente àqueles incapazes de cumprir os requisitos mínimos de formação e habilitação.
  8. Vamos analizar a questão do reconhecimento e acesso ao título de especialista de pós graduandos, estabelecendo as condições para a inscrição nas provas, considerando, inclusive, as condições impostas pela AMB para reconhecimento de título de especialistas para médicos que não cursaram residência médica formal. Da mesma forma que não convém à comunidade de cirurgiões pediátricos que profissionais sem formação sejam incluídos no rol de especialistas, não convém igualmente que uma pletora de colegas exerçam a especialidade sem estar vinculados aos compromissos com a nossa sociedade, já que não é ilegal no Brasil operar crianças sem ter título de especialista em cirurgia pediátrica. É necessário encontrar um equilíbrio nesta área, sem abrir mão do reconhecimento de mérito e da proteção àqueles que optam pelo caminho preferencial de formação através da residência médica.
  9. Investiremos em educação continuada, através de teleconferências periódicas e publicação de revisões temáticas atualizadas escritas por colegas convidados, além dos tradicionais congressos de especialidade. Vamos disponibilizar guidelines que sejam públicos em nossa home page. Buscaremos a possibilidade de transmissão on line de eventos sempre que possível e de taxas de inscrição subsidiadas para nossos associados em eventos de sociedades co-irmãs.
  10. Verificaremos a viabilidade financeira de assinar o J Pediatr Surg e/ou Pediatr Surg Internat e/ou J Pediatr Urol e disponibilizá-los para uso dos sócios adimplentes. Lembramos a todos aqui que o custo de assinatura institucional destas revistas é diferente do custo individual, e em geral mais caro.
  11. Pretendemos que a Sociedade se prenuncie através de comunicados oficiais em resposta a comentários e divulgações em mídia brasileira que envolvam a cirurgia pediátrica e os cirurgiões pediátricos de alguma forma. Entendemos que precisamos noticiar a nossa presença, a nossa capacidade de atuação e até as nossas dificuldades. A cirurgia pediátrica precisa ser factualmente reconhecida no Brasil: sabemos que muitas pessoas, até mesmo colegas médicos, não sabem da nossa existência e não conhecem nossas capacitações técnicas específicas.
  12. Vamos buscar o reconhecimento prático dos dispositivos legais que implicam a presença de um cirurgião pediátrico para apoio a UTIs pediátricas ou neonatais e pelo pagamento sistemático de profissionais trabalhando em regimes de sobreaviso, conforme os dispositivos legais pertinentes, que já existem. Em paralelo vamos buscar o reconhecimento das tabelas de remuneração diferenciadas para cirurgia em neonatos e lactentes e a inserção de nossos procedimentos específicos de forma correta nas tabelas de remuneração do SUS e das OPS.
  13. Vamos buscar através de denúncias públicas o reforço de nossos papéis institucionais e reconhecimento público das necessidades específicas de atuação da especialidade. Pecisamos melhorar nossas condições de trabalho, buscando um menor índice de desgaste, carga excessiva de trabalho e burn-out profissional. É imperativo o reconhecimento de que atuamos com um número limitado de profissionais e que a nossa atuação implica em melhores resultados clínicos para pacientes pediátricos cirúrgicos.
  14. Buscaremos através de convênios direcionados conseguir benefícios para os associados CIPE.
  15. Criação do Selo de Qualidade CIPE, junto à CNRM (Comissão Nacional de Residência Médica).