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       Dedicamos esta coluna às eleições para a diretoria da CIPE. Quando foi editado o número anterior deste jornal, conhecíamos apenas um candidato: o Dr. João Vicente Bassols, atual vice-presidente, cujo perfil foi publicado. Depois disso, muita água passou por baixo da ponte, tendo surgido uma chapa de oposição.

       Conforme foi divulgado neste jornal e na Internet, a tradição de eleger presidente da CIPE o vice da gestão anterior, surgiu com o intuito de evitar disputas que viessem reproduzir acontecimentos do passado, quando ofensas e agressões mútuas, muito prejudicaram a Associação.

       E tal cuidado, de fato, tinha sentido: mal foi lançada a chapa, componentes da oposição, assinaram artigos na Internet com refêrencias depreciativas, no mínimo desairosas, à atual Diretoria, bem como a outras que a antecederam. Essa prática seria mesmo necessária? Será que não é possível fazer política, mesmo em uma associação científica, sem contundência?

       Obviamente, tais artigos geraram respostas duras e estas um pedido de desculpas. Porém, ao desculpar-se, o autor dos artigos diz que deveríamos até estar felizes pelo fato das críticas não incluírem “corrupções, falcatruas, desmandos, roubos, etc”, porque “são muito poucos os dirigentes desse nosso escalabroso (sic) país” (...) “que se permitem chegar ao fim de um mandato” sem tais críticas. É incrível. Deveríamos mesmo estar felizes? É difícil acreditar que os oposicionistas comunguem dessa idéia e, caso sejam eleitos, venham a se sentir felizes, ao término do mandato, se não receberem acusações dessa natureza. Pessoas honestas e dignas não pensam assim. A atual diretoria da CIPE não pensa assim.

       Enfim, com as desculpas, veio o propósito de só discutir propostas de trabalho. Ótimo, pensamos. Este é o caminho. Mas, que nada. Como em uma corrida de revezamento, outro pega o bastão e fala em “um grupo que deseja perpetuar-se no poder”, fazendo comparações com os anos de chumbo da ditadura militar, quando se podia “votar livremente, desde que no candidato único escolhido pelo governo”. É difícil crer na sinceridade dessas palavras. Não acreditamos que seu autor efetivamente entenda que existe um grupo desejando perpetuar-se no poder. Poder? Afinal, qual é o poder de um presidente da CIPE?

       É desnecessário e desgastante explicar, pela enésima vez, que a intenção de eleger o vice é, basicamente, evitar esse confronto, que só distancia e divide nossos associados em grupos antagônicos. Afinal, todas as vezes que elegemos o candidato único, o Estatuto aí estava, dando condições para que qualquer outro candidato se aventurasse a concorrer. Se não surgiram candidatos, foi porque todos, até então, concordavam com o método. Nada era feito às escondidas. Sempre às claras, como neste ano, quando surge uma chapa de oposição. Uma dissidência que, depois de compartilhar o método vigente por anos seguidos, só agora aparece. E nada foi feito para impedi-la. Reuniões, conversas, negociações, isso sim. Diversas formas de composição foram propostas, tudo dentro do mesmo pensamento de evitar o confronto e preservar a entidade. Mas não tivemos êxito. O Dr. Baratella as rejeitou. Tudo bem. Nenhum óbice lhe foi interposto. Que haja a disputa, mas se evitem as agressões. Limitem-se a discutir metas e propostas.

       Por fim sugerimos aos que compõem as chapas concorrentes, que procurem ler o Estatuto e se inteirem dos últimos acontecimentos publicados neste jornal. Seria ‘interessante’ que tivessem conhecimento do que se passa na associação que pretendem dirigir. Assim se evitaria que candidatos pedissem esclarecimentos sobre as normas eleitorais, quando elas estão explicitadas no Estatuto e, este, à disposição de todos no ‘desatualizado’ site da CIPE. Outro declara “não ter a menor idéia de quando foi cogitado” fazer uma reforma estatutária, para, algum tempo depois, ‘descobrir’ a reforma de 2004. Talvez ainda ignore que em 2000 foi feita outra reforma e tantas mais poderão ser feitas, desde que assim deseje a maioria dos sócios.

       A leitura dos números do Jornal da CIPE, também publicado no mesmo site, evitará perguntas como: “Para a atual tabela de procedimentos da AMB, quem de nós foi pelo menos consultado e informado?”. E ali estão os pedidos de sugestões, feitos na época adequada. Poucos foram os Estados que responderam. Aliás, pedidos de críticas e sugestões, em geral, por diversas vezes repetidos, também não obtiveram resposta. Onde estavam os que hoje se apresentam como salvadores da pátria? Por que não se manifestaram em tempo hábil? Será que só perceberam erros e defeitos agora, às vésperas da eleição? Ou o interesse pela CIPE só existe quando há possibilidade de ser diretor?

       Concluímos pedindo, mais uma vez, colaboração: votem. Participem, escolhendo os que lhes parecerem mais sensatos e capacitados para adequadamente conduzir a CIPE. A decisão é de vocês e dela depende o destino da nossa Associação.

Flávio Pabst - Presidente da CIPE