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       Karen tem dez anos e apresenta um proble­ma delicado. A menina é portadora de uma doença chamada Pectus Excavatum, que é uma deformidade congênita na parede torácica, que atinge uma em cada mil crianças e deixa o tórax com formato de funil. "A doença, além de comprometer as vias respiratórias, causa incômodo estético, gerando discriminação", afirma o Cirurgião Pediátrico Gilson Sawaya, que acompanha a paciente.

       No dia 17 de maio a história narrada acima ganhou o melhor desfecho possível. Graças ao empenho dos profissionais da Cirurgia Pediátrica e do apoio do Hospital e Maternidade Celso Pierro (HMCP), Campinas (SP), a menina pôde passar por uma cirurgia inédita no Brasil. Os médicos utilizaram uma técnica americana pelo método do Dr. Donald Nuss, que consiste na implantação de uma barra de aço para remodelar a região afetada. A cirurgia traz diversas vantagens em relação ao procedimento convencional: além de ser minimamente invasiva, representa uma redução do tempo cirúrgico de 5 horas para cerca de 50 minutos, pouca perda sangüínea e recuperação mais rápida.

       Cinqüenta médicos participaram do Curso sobre Correção Minimamente Invasiva, ministra do pelos cirurgiões argentinos Marcelo Martinez Ferro e Carlos Fraire. Eram 42 cirurgiões pediátricos e 8 cirurgiões torácicos, que acompanharam os trabalhos realizados em duas etapas: a teórica, no período da manhã, e a prática, à tarde, que incluiu a realização da cirurgia, transmitida ao vivo para os presentes no anfiteatro "Prof. Dr. Silvio Carvalhal", o que possibilitou a troca de experiências com os convidados do Hospital Nacional de Buenos Aires.

       Para o Chefe do Serviço de Cirurgia Pediátrica do HMCP, Dr. Nilton Crepaldi Vicente, "o evento deve servir de exemplo para outras especialidades cirúrgicas, procurando trazer novas técnicas e conhecimentos ao corpo clínico do Hospital".

       "Aqui no Brasil essa cirurgia normalmente é realizada pelo cirurgião torácico, porém, nos demais países da América Latina, Europa e nos Estados Unidos, o procedimento é feito por cirurgiões pediátricos", salienta o Dr. Gilson Nagel Sawaya.

       O presidente da CIPE, Dr. Euclides Reis Quaresma, também participou do evento, destacando sua importância: "A atualização promovida pelo serviço, descentralizado do eixo da capital, merece nosso reconhecimento. Parabéns aos organizadores."
      Mostrar a técnica cirúrgica para tratamento da doença de Hirschsprung foi o objetivo do curso realizado nos dias 22 a 24 de maio, no Hospital Pequeno Príncipe (Curitiba/PR), reunindo 92 cirurgiões pediátricos de todos os estados do país, inclusive dos mais distantes como Amazonas e Pará, e até mesmo uma médica portuguesa, ex-residente do Hospital, que veio de Portugal para o evento. "Para ministrar o curso trouxemos o médico mexicano Luís de La Torre-Mondragon, o primeiro no mundo a publicar a técnica, em 1997, na mais importante revista médica da Pediatria: o Journal of Pediatric Surgery. Vários outros já a empregam mas como ainda é nova, achamos adequado trazer o professor para as aulas teórico-práticas, com a apresentação de três cirurgias, totalmente filmadas e transmitidas ao vivo para os presentes, através de um circuito de Tv, em telões nos dois auditórios", explica o Dr. César Cavali Sabbaga, organizador e coordenador do evento.

As atividades científicas incluíram ainda quatro palestras e uma sessão especial, que durou duas horas e meia, quando o professor de La T orre­Mondragon respondeu as perguntas dos alunos presentes. "Foi muito produtivo. Fizemos um questionário respondido pelos presentes e na avaliação geral o resultado oscilou entre excelente e ótimo", declara Dr. Sabbaga. Ele diz ainda que todos os que participaram do curso vão receber um CD com as cirurgias já editadas.

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