Ennio Gabriel, carioca, nascido em 14 de dezembro de 1933, marido, pai e avô devotado, formou-se pela Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro em 1957, já com o firme propósito de trilhar o caminho da cirurgia.
Primeiro colocado no concurso para médico da Aeronáutica exerceu o cargo durante aproximadamente cinco anos em Pirassununga, interior de São Paulo.
Em 1963 prestou concurso para cirurgião pediátrico para o antigo Estado da Guanabara. Aprovado, foi designado para o Hospital Nossa Senhora do Loreto e, a partir de então, começou uma paixão sem medida pela cirurgia pediátrica.
Em 1969 foi convidado pelo então diretor do Hospital Getúlio Vargas para implementar o serviço de cirurgia pediátrica, o que veio efetivamente a se concretizar em 1970, juntamente com três assistentes.
No ano de 1971, cirurgião pediátrico do antigo INPS, começou a trabalhar no núcleo da Casa de Saúde Santa Terezinha, onde exerceu a especialidade até 1983, quando se transferiu para o Hospital da Lagoa. Ali desempenhou suas funções sempre com o mesmo entusiasmo, competência e habilidade até a morte, visto que, mesmo aposentado, continuava administrando curso teórico regular para médicos residentes, ocasiões em que ficavam patentes o seu enorme conhecimento da especialidade e a vivência, fruto de muitos anos de experiência e dedicação. Por aproximadamente seis anos, Ennio exerceu o cargo de consultor científico e colaborador do serviço de cirurgia pediátrica do Hospital Naval Marcílio Dias, no do Rio de Janeiro.
Fica muito difícil falar do amigo e colega Ennio em poucas palavras, principalmente para quem como eu, com ele trabalhou durante trinta e cinco anos.
Vale lembrar as suas participações em todos os congressos da especialidade, a presidência da seção de cirurgia pediátrica do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, além de membro de bancas de concursos para título de especialista e também concursos públicos, tanto na FESP (Fundação Escola do Serviço Público) como na Fundação João Goulart. Ennio exerceu durante muito tempo o cargo de professor do curso de pós-graduação da PUC, criado por um dos pioneiros da cirurgia pediátrica no Estado, o dr. José Antônio Lopes. Seu desaparecimento deixa enorme sentimento de perda em todos nós, seus colegas e amigos e a certeza de que muito ainda iríamos aprender com ele.
Carlos Alberto de Oliveira – RJ
Em breve dr. Fred completaria 90 anos de idade e 67 de formado. Vida e carreira intensamente vividas. Ativo, participante, não deixou de lado a profissão em nenhum momento. A todos impressionava pela vontade com que comparecia às reuniões. Bastava convidá-lo para ter certeza de que lá estaria, participando com opiniões e sugestões, sempre lembrando experiências que poderiam servir de exemplo.
Sócio Fundador da CIPE e da Cipepe - Sociedade de Cirurgia Pediátrica de Pernambuco - foi um dos pioneiros da cirurgia pediátrica no Estado, onde a história da especialidade está intimamente ligada à história da sua própria vida.
Ensinou na então Faculdade de Medicina da Universidade do Recife, quando foi ligado à cadeira de puericultura. São poucos os cirurgiões pernambucanos que não aprenderam com ele.
Extremamente participante também na vida associativa foi presidente da Sociedade de Medicina de Pernambuco, fez parte de diversas diretorias da AMB. Presidiu a Cipepe por mais de uma gestão, presidiu congresso da CIPE e participou da sua diretoria. Foi membro fundador da Academia Nacional de Cirurgia Pediátrica – Ancipe.
Sua vida profissional se mistura com as atividades da Casa de Saúde Maria Lucinda e do antigo Hospital Infantil Manoel de Almeida, onde chefiou o serviço por décadas e cujo centro cirúrgico há anos leva seu nome.
Teve a felicidade de, ainda em vida, ver seus méritos reconhecidos. Recebeu diversas homenagens e comendas de entidades médicas nacionais, estaduais e também dos poderes constituídos do Recife e de Pernambuco.
Juntamente com os demais sócios fundadores, recebeu homenagem da CIPE, durante o último congresso, em Natal.
Apesar da idade, da experiência, dos títulos, sabia conviver com os mais moços, a quem estimulava e prestigiava. Por este motivo, recebia em troca respeito e afetividade.
A partir de agora, haverá sempre uma lacuna nas reuniões da Cipepe. Sua ausência será também notada e lastimada não só pelos cirurgiões pediátricos de Pernambuco, mas pelos colegas de outros estados habituados a revê-lo em cada congresso. Uma página da nossa história acaba de ser virada.