Associação Médica BrasileiraWorld Federation of Associations of Pediatric SurgeonsAsociación Iberoamericana de Cirugía Pediátrica

Técnica abrangente corrige extrofia de bexiga em um tempo

Grupo de cirurgiões pediátricos percorre o Brasil, realizando cirurgias em conjunto e difundindo a técnica de Kelly em diferentes pontos do país.

No dia 11 de maio, um grupo de cirurgiões pediátricos realizou sua sexta cirurgia de extrofia de bexiga pela técnica de Kelly, no Hospital Materno-infantil Presidente Vargas (HMIPV), de Porto Alegre (RS). Conforme explica o Dr. Eduardo Corrêa Costa, que participou da cirurgia, “trata-se de uma técnica nova, inédita no estado, conhecida como ‘Mobilização radical dos tecidos moles’, cuja principal vantagem é corrigir em uma única etapa deformações anatômicas e funcionais e outras deficiências, com melhores condições de sucesso, em benefício do paciente”. É considerada por ele como a evolução da técnica tradicional, em que a correção da extrofia é feita em diversas etapas, por vezes com intervalo de anos entre elas.

O Dr. Eduardo Costa, que é presidente da Associação de Cirurgia Pediátrica do Rio Grande do Sul (CIPE-RS), revela que a formação do grupo, idealizado pelo Dr. Francisco Nicanor Araruama Macedo (Rio de Janeiro), se deu no início deste ano. Apesar de contar com a participação de outros cirurgiões de diferentes estados, tem como membros mais assíduos, além dos dois já citados, os Drs. Antônio Carlos Amarante (Paraná), Hélio Buson Filho (Distrito Federal) e Jovelino Quintino de Souza Leão (São Paulo).

“A cirurgia de extrofia de bexiga por essa técnica deve ser realizada poucos meses após o nascimento da criança; é muito demorada – dura, em média, de 8h a 8h30 – e o ideal é que haja revezamento entre os cirurgiões, também por ser uma operação delicada, que envolve vários procedimentos”, destaca. Ao lado de atender a esse aspecto prático, a criação dessa equipe de cirurgiões pediátricos se destina ao compartilhamento de experiências e responsabilidades e à difusão da técnica entre os cirurgiões pediátricos do país. A cirurgia realizada no dia 11, por exemplo, foi acompanhada pelos Drs. João Vicente Bassols, presidente da CIPE, Karen Lucilda Schultz (Paraná), Rafael Miranda Lima (Santa Catarina) e outros quatro cirurgiões pediátricos do Rio Grande do Sul.

Além desse caso mais recente, de Porto Alegre, o grupo já realizou duas cirurgias no Rio de Janeiro (RJ), em janeiro e março, uma em Salvador (BA), também em março, e duas em São Paulo (SP), em abril. A próxima deverá ocorrer em junho, em Brasília (DF), e, em julho, em Curitiba (PR), deverão ser operados dois casos. Há três outras cirurgias previstas, ainda sem data definida, sendo duas no Rio de Janeiro e uma em Boa Vista (RR).

O Dr. Eduardo Costa elogia a iniciativa do grupo: “trata-se de um trabalho pioneiro, muito bonito, no qual esses cirurgiões viajam pelo país às próprias custas, para divulgar a técnica, aperfeiçoá-la e, assim, favorecer os pacientes.”

Extrofia de bexiga

Extrofia de bexiga é uma malformação que afeta, em média, um em cada 30 mil ou 50 mil nascidos vivos, na maioria meninos. “Apesar de extensa e radical, a nova técnica evita a necessidade de correção dos ossos do quadril, permite corrigir, ao mesmo tempo, a deformidade da bexiga, do pênis e da parede abdominal, e também evitar o refluxo vesicoureteral e a incontinência, hérnia inguinal e a realização de plástica umbilical, antecipando a melhoria da qualidade de vida da criança e preservando os rins e, no futuro, também a função sexual”, explica o cirurgião pediátrico.

O menino operado em Porto Alegre passa bem e deve permanecer na UTI por uma semana. Segundo o cirurgião do HMIPV, sua recuperação evolui de acordo com o esperado.

Equipe discute caso clínico e técnica a ser empregada na cirurgia realizada em Porto Alegre.