Associação Médica Brasileira World Federation of Associations of Pediatric Surgeons Asociación Iberoamericana de Cirugía Pediátrica

XII Mutirão Nacional de Cirurgia da Criança

Em 2018, mais de 300 crianças e adolescentes tiveram seus problemas cirúrgicos resolvidos durante o mutirão, o qual, indiretamente, também beneficiou outros pacientes, ao reduzir as filas de espera em hospitais do Brasil.

Em 2018, no dia 5 de maio, no XII Mutirão Nacional de Cirurgia da Criança, foram atendidos 315 pacientes, em 20 serviços de nove estados e do Distrito Federal, representando um crescimento de cerca de 30% no número de atendimentos em relação ao mutirão de 2017. sem o registro de nenhuma intercorrência. Infelizmente, imprevistos impossibilitaram a realização das operações programadas em três serviços que estavam inscritos em 2017 e em um, em 2018.

Com a iniciativa, a entidade procura contribuir para a redução, ainda que passageira, das longas filas de espera por esse tipo de atendimento no país. “Sabemos que os mutirões da CIPE, por maiores que sejam, não resolvem o problema da saúde pública brasileira, mas, ao menos, restabelecem, em menor tempo, a qualidade de vida dos pacientes infantojuvenis operados e reduzem, ainda que momentaneamente, a espera por cirurgias pediátricas no SUS”, constata o presidente da associação, Dr. João Vicente Bassols.

Ele explica que o mutirão se concentra na realização de cirurgias ambulatoriais eletivas, como postectomias, orquidopexias e casos mais simples de hipospadia e para a eliminação de cistos e hérnias umbilicais e inguinais.

O presidente da CIPE ressalta que “além de beneficiar diretamente esse grupo de pacientes, os mutirões também favorecem aqueles que aguardam pela realização de cirurgias mais complexas, que exigem internação”.

Atualmente, os mutirões voluntários passaram a ter um papel de grande importância para o paciente cirúrgico pediátrico. Com as limitações orçamentárias a que também a saúde pública do país vem sendo submetida nos últimos anos, a situação que estava longe de ser a ideal, piorou muito. “No campo pediátrico, o descaso do poder público é grande. Houve o fechamento de diversos hospitais pediátricos públicos, acentuada diminuição no número de leitos hospitalares e em UTIs, substituição de plantões presenciais por plantões à distância e restrições para a realização de cirurgias eletivas”, comenta o Dr. Bassols.

Ele ainda lembra que a gravidez precoce e tardia e o uso de drogas levaram ao aumento do número e da gravidade das malformações congênitas, que demandam correções cirúrgicas.

Daí a importância de mutirões como esse. Assim, o presidente da CIPE pede “especial atenção dos responsáveis pelos órgãos da administração pública com a saúde de crianças e adolescentes, ampliando o número das equipes cirúrgicas e garantindo-lhes condições de trabalho adequadas e leitos e instalações apropriadas a esses pacientes, de forma a reduzir drasticamente as filas de espera”.

A seguir, a CIPE divulga a síntese deste XII Mutirão Nacional e detalhes sobre a atividade nos diferentes serviços participantes:

 

XII Mutirão Nacional de Cirurgia da Criança

Estado Serviço/Cidade Crianças atendidas
Bahia – H. Municipal Eurico Dutra – Barreiras 23
Distrito Federal – H. Universitário (HUB) – Brasília 24
Minas Gerais – H. de Clínicas da UF Triângulo Mineiro – Uberaba 19
– Santa Casa de Misericórdia – Belo Horizonte 13
Pará – H. Regional Público do Araguaia (HRPA) – Redenção 5
– Santa Casa de Misericórdia – Belém 21
Rio de Janeiro – H. Alcides Carneiro – Petrópolis 16
– H. Federal da Lagoa – Rio de Janeiro 13
– H. Municipal da Mulher – Cabo Frio 10
Rio Grande do Sul – H. da Criança Conceição – Porto Alegre 18
– H. da Criança Sto. Antônio – Santa Casa de Misericórdia – Porto Alegre 16
Santa Catarina – H. Infantil Joana de Gusmão – Florianópolis 28
– H. São José – Criciúma 17
São Paulo – H. Estadual Mário Covas – Santo André 15
– H. São Camilo – Santa Casa de Misericórdia – Itú 30
– Inst. da Criança do H. das Clinicas FMUSP 7
– Santa Casa de Misericórdia – Araçatuba 10
Sergipe – H. Universitário da UF Sergipe/EBSERH – Aracaju 14
Tocantins – Hospital Infantil Público – Palmas 16
TOTAL 315

 

 Bahia

  • Hospital Municipal Eurico Dutra – Barreiras

Foto: Divulgação

Em Barreiras, 14 crianças foram submetidas a mais de 20 cirurgias. Além disso, na ocasião, foram revistos nove procedimentos da Otorrinolaringologia.

As equipes do mutirão envolveram os cirurgiões Angevaldo Lima e Lívia Knupp; os anestesiologistas Nelson da Silva Alex Filho e Osvaldo Macedo Junior; os enfermeiros Joelma Viana, Dayane Ozelane, Ana Paula Miranda e Juliane Vital. Também participaram da iniciativa o diretor médico Dr. Rodrigo Espírito Santo; a diretora e a assistente administrativa, respectivamente, Helena Luisa Crusoé e Claudete da Silva, e 12 técnicos em enfermagem.

 

Distrito Federal

  • Hospital Universitário (HUB) – Brasília

Foto: Divulgação/HUB

No HUB 24 crianças foram submetidas a 35 procedimentos cirúrgicos, entre herniorrafias inguinal, umbilical e epigástrica, hidrocele e postectoplastias.
Conforme explica a Dra. Mercia Rocha, cirurgiã pediátrica do hospital, houve uma ‘parceria’ do HUB com o Hospital Materno Infantil de Brasilia (HMIB), que participou das cirurgias com uma cirurgiã pediátrica, três anestesiologistas e quatro residentes.

No total, atuaram no mutirão seis cirurgiões pediátricos, sete anestesiologistas, quatro residentes da especialidade, dois de Cirurgia Geral, seis de Anestesiologia, dois de Pediatria, além de 17 alunos de Medicina, seis internos e seis voluntárias, que se concentraram nas atividades de recreação.

 

Minas Gerais

  • Hospital de Clínicas da UF do Triângulo Mineiro – Uberaba

Foto: Divulgação/UFTM

Essa foi a primeira vez que o HC/UFTM participou do mutirão. A equipe realizou 19 cirurgias, de hérnia, em sua maioria, em pacientes de até 13 anos, da cidade de Uberaba e da região.

Além de três cirurgiões, quatro residentes, quatro anestesiologistas, quatro instrumentadores e aproximadamente 30 profissionais de enfermagem participaram da ação. O Dr. Robson Dutra coordenou a atividade no hospital.

 

  • Santa Casa de Misericórdia – Belo Horizonte

Na imagem, aparece parte da equipe cirúrgica e dos pacientes.

Foto: Divulgação/SC-Belo Horizonte

Participaram do mutirão os Drs. Rodrigo Romualdo, Moacir Tibúrcio (chefe do serviço de Cirurgia Pediátrica), João Bosco, Átila Reis Victoria e Maria Aparecida, realizando os seguintes procedimentos: hernioplastia inguinal, ureteroplastia autógena, traqueoscopia, orquidopexia unilateral, postectomia, traqueorrafia, exérese de tumor de vias aéreas e reparação e operação plástica.

Para a data, estavam programadas 14 cirurgias, porém um dos pacientes não compareceu.

 

Pará

  • Hospital Regional Público do Araguaia – Redenção

Apenas cinco crianças foram operadas. Conforme declarou o Dr. Ugo Bicego Queiroz, cirurgião pediátrico que há anos coordena os mutirões no HRPA, “a notícia boa é que o serviço ficou novamente com a fila zerada, estando pendentes apenas as cirurgias de crianças com quadro gripal na época do mutirão”.

 

  • Santa Casa de Misericórdia – Belém

Foto: Divulgação/SCM- Belém

Os Drs. Eduardo Amoras Gonçalves (chefe do serviço de Cirurgia Pediátrica), Alfredo Abud (supervisor da Residência Médica), Maurício Iasi, Juliana Thais, Suzanne Maia e Ana Carolina Lobão foram os cirurgiões pediátricos envolvidos no mutirão, operando 21 pacientes de hérnia, das quais, duas epigástricas. Também participaram da iniciativa na Santa Casa os residentes Drs. Salime Saraty, Brian Malacarne, Deyb Brito, Nivea Portilho, Rafael Boden, Fabrício Gonzaga e Verena Nascimento.

 

Rio de Janeiro

  • Hospital Alcides Carneiro (HAC) – Petrópolis

Foto: Divulgação/HAC

Foram operadas 16 crianças, 14 de fimose e duas de freios na língua, informou o Dr. Marco Daiha, responsável pelo mutirão no HAC.

 

Hospital Federal da Lagoa – Rio de Janeiro

Foto: Divulgação/HF da Lagoa

Este foi o único hospital da capital fluminense a participar do mutirão em 2018. Foram realizadas 11 postectomias, uma herniorrafia umbilical e uma exérese de lesões cutâneas, conforme relatou a Dra. Patricia Mortimer Ferraz, cirurgiã pediátrica responsável pela iniciativa.

 

Hospital Municipal da Mulher (HMM) – Cabo Frio

Foto: Divulgação/HMM

Na data, foram realizadas 10 cirurgias – frectonomia lingual, hérnias e postectomias – pela equipe que aparece na foto: Drs. Elio Fernandes Campos Filho, cirurgião-chefe da Cirurgia Pediátrica; Emanuel José Meirelles, anestesiologista; Leila, enfermeira chefe do setor; Dra. Maria Carolina, diretora médica hospital; e integrantes da equipe de enfermagem, além de pacientes e respectivos acompanhantes.

 

Rio Grande do Sul

  • Hospital da Criança Conceição – Porto Alegre

No dia 3 de maio, 18 crianças foram submetidas a cirurgias de hérnia e de orquidopexia, sob a coordenação local da Dra. Melissa Migotto Silva.

A abertura oficial do mutirão foi realizada antecipadamente na mesma data, no centro cirúrgico do hospital, que, conforme explica o Dr. João Vicente Bassols, presidente da CIPE e cirurgião pediátrico do Conceição, por motivo de força maior, no dia 5 as cirurgias não poderiam ser realizadas.

Nesse serviço o tempo médio de espera para cirurgias pediátricas é de seis meses.

 

  • Hospital da Criança Santo Antônio – Santa Casa de Misericórdia – Porto Alegre

O Dr. Rafael Trindade Deyl coordenou o mutirão na Santa Casa, na qual 16 crianças foram operadas.

 

Santa Catarina

  • Hospital Infantil Joana de Gusmão – Florianópolis

Foto: Divulgação/HIJG

Em Florianópolis, 28 pacientes foram submetidos a 20 herniorrafias inguinais, três umbilicais e duas orquidopexias. De acordo com informações do chefe do serviço, Dr. José Antonio de Souza, sete cirurgiões participaram do mutirão, juntamente com três residentes de Cirurgia Pediátrica, quatro anestesiologistas e quatro residentes de Anestesiologia, além de 18 enfermeiros e técnicos e de funcionários de outras áreas.

 

  • Hospital São José (HSJ) – Criciúma

Foto: Divulgação/HSJ

Foram atendidos 17 pacientes, de um a 14 anos, submetidos, principalmente, a hernioplastia inguinal, postectomia e orquidopexia. Também foram realizadas cirurgias de maior complexidade: plástica total de pênis, exérese de cisto dermoide, extirpação e supressão de lesão de pele e tecido subcutâneo e, ainda, uma gastrostomia videolaparoscópica.

O cirurgião pediátrico e diretor clínico do hospital, Dr. Christian Escobar Prado, que, juntamente com o Dr. Rodrigo Demétrio e a instituição, participa do mutirão desde sua primeira edição, informou que em 2018 estiveram disponíveis para o mutirão novas salas cirúrgicas altamente equipadas.

 

São Paulo

  • Hospital Estadual Mário Covas (HEMC) – Santo André

Foto: Divulgação/HEMC

Quinze meninos foram operados de postectomia. O Dr. Vicente Gerardi Filho foi o responsável pela coordenação do mutirão, que também teve a participação do Dr. Ivan Koh e das residentes Dra. Barbara Queiroz e Andressa. Na data, estiveram presentes, ainda, os Drs. Pedro Munoz Fernandez e Luis Ricardo Longo, respectivamente, titular da disciplina de Cirurgia Pediátrica da Faculdade de Medicina do ABC e coordenador da Cirurgia Pediátrica do hospital, e o Dr. Humberto Salgado Filho, representando a CIPE.

 

  • Hospital São Camilo – Santa Casa de Misericórdia – Itú 

No mutirão, coordenado pelo Dr. Elvércio de Oliveira Junior, foram realizadas 19 postectomias, três herniorrafias, três frenotomias linguais, três orquidopexias, a extração de um apêndice préauricular e um TU cervical.

 

  • Instituto da Criança do Hospital das Clinicas da FMUSP – São Paulo

(https://hconline.hc.fm.usp.br/n583_2018.htm)

Foto: Divulgação/HC-FMUSP

No ICr-HC estava programada a realização de 10 cirurgias de hérnia inguinal, fimose e criptorquidia, informou o chefe do serviço de Cirurgia Pediátrica e Transplante Hepático do instituto e do Laboratório de Cirurgia do HC, Dr. Uenis Tannuri. Porém, por motivos diversos, somente sete puderam ser realizadas.

 

  • Santa Casa de Misericórdia – Araçatuba

 

Fotos: Divulgação/SCM-Araçatuba

Em 2018, foram atendidas 10 crianças, entre 2 e 13 anos, que sofriam de hérnia inguinal. As três equipes cirúrgicas foram formadas pelos cirurgiões pediátricos Aimar Garcia Sanches, Adriana Hebeler e Osvaldo Butignol; os anestesiologistas Antonio Melucci, Gustavo Coelho e Renata Nagata, e enfermeiros, auxiliares e instrumentadores, coordenada pelo enfermeiro José dos Anjos Mendes.

 

Sergipe

  • Hospital Universitário da UF Sergipe/EBSERH – Aracaju

Coube ao Dr. Sebastião Duarte Xavier Junior a coordenação do mutirão no Hospital Universitário de Aracaju, onde foram atendidas 14 crianças.

 

Tocantins

  • Hospital Infantil Público (HIPP) – Palmas

No HIPP foram realizados 28 procedimentos em 16 pacientes, sendo três postectomias e 25 hernioplastias, entre inguinais e umbilicais. Participaram do mutirão três cirurgiões pediátricos, Drs. Lúcia Caetano Pereira (coordenadora da ação que se realiza no estado há 12 anos), Carmen Leite e Renato da Rocha; o cirurgião geral Harley Pandolfi Junior; a residente em Cirurgia Geral Camila Rodrigues; o anestesiologista Kleber Andraus; os residentes de Anestesiologia Carlos Roberto Lopes e Rodrigo Fernandes; os acadêmicos de Medicina Isabella Fonseca, Matheus Negrero, Higor Vinicius, Gabriele Viana e Giovanna Falavigna; as enfermeiras da equipe de apoio Dádiva, Fabrícia, Luciana e Katiucia; a enfermeira assistencial Wanessa; os instrumentadores Delcy, Marcio, Doliria e Simone; e Daiane, da equipe de apoio, juntamente com servidores de outras áreas do hospital.